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Distanciar sim, desamparar nunca

  • 09/08/2020

  • 17:01

A pandemia da Covid-19 modificou, de forma brusca, os hábitos da sociedade e, mais do que isso, as relações humanas. Esperava-se que com este novo desafio mundial as pessoas pudessem se tornar mais solidárias e empáticas. Todavia, em muitos casos, vimos núcleos que têm se fechado em seu mundo, de forma radical, para se prevenirem, sendo incapazes de olhar a algum necessitado, ou pessoas que não modificaram nenhum hábito, por acharem que não correm riscos, sem pensar no próximo.


Seguindo um caminho contrário, o Centro Local Santa Teresinha, da Associação dos Salesianos Cooperadores de São Paulo, se reformou durante a pandemia, sem deixar de olhar por aqueles que já atendiam. Assim como Dom Bosco, os Cooperadores pensaram em diversas maneiras de continuarem próximos ao oratorianos, sem com isso deixar de cumprir as medidas de prevenção e combate ao vírus.


De acordo com a Secretária do Conselho Local, a SC Lídia Sordili, o Centro Local começou a se organizar, em março, para atender a algumas famílias que já sentiam o impacto da pandemia. Utilizando a verba que antes seria para oferecer um almoço mensal aos assistidos, o grupo conseguiu entregar cestas básicas para algumas famílias. Então, em abril, o número de famílias contempladas passou de 10 para 20! Tal ampliação foi possível, pois os Cooperadores conseguiram o apoio fixo de algumas pessoas. Assim, em maio, além das famílias participantes do Oratório, o Centro Local conseguiu iniciar um auxílio à Congregação Missionárias da Caridade.


Buscando então aprimorar a ação, o grupo enviou uma ficha cadastral para as famílias para que, desta forma, pudessem enviar cestas personalizadas, e, como detalhou Lídia, “passamos a distribuir dois tamanhos de cesta, famílias com até cinco pessoas recebem uma cesta com 12 kg, enquanto famílias com mais de cinco pessoas, recebem cestas de 20 quilos”.


Ainda assim, o grupo sentia que precisava ir além, e como detalhou a SC Rosana Nicchio, “a ação da entrega das cestas é louvável e importante, mas precisávamos estar mais próximos dos oratorianos, precisávamos manter o vínculo e aumentar os laços. Era necessário mostrar que o Oratório continua, mas agora em outra dimensão, dentro de casa”.


Diante deste desafio de manter os jovens próximos a Dom Bosco, os Cooperadores resolveram enviar, em agosto, junto à cesta, um livro de colorir que narra a história do fundador dos salesianos. A ideia não poderia vir em um período mais propício, uma vez que foi realizada em agosto, mês dos 205 anos do nascimento de Dom Bosco.


Assim, em posse de um kit com o livro de colorir e lápis de cor, as crianças e suas famílias puderam, novamente, sentir a presença da Família Salesiana, desta vez em seu lar. A recepção foi positiva e contou com o apoio do jovem Cleverson Alves, 26, que participa do oratório desde os 4 anos. Transformado pela experiência com Dom Bosco, o jovem não deixa de ajudar os Cooperadores. Assim, ele reuniu em sua casa cerca de 10 crianças para participarem da ação, “convidei não apenas as crianças que já frequentam o oratório, mas outras que moram aqui na região. Achei uma boa oportunidade de aproximá-las de Dom Bosco, para quem sabe surgir um interesse de participar, pois foi assim que eu o conheci, através dos outros”.


Após finalizada a etapa de confecção, os Cooperadores recolheram as pinturas para elaborar um livro digital, com todos as ilustrações, cujo resultado você pode ver no vídeo abaixo.



Assim, com o sucesso da ação, o grupo já prepara nova atividade para o mês de setembro, o mês da Bíblia. Para esta, o Centro Local irá fazer uso da tecnologia, diminuindo ainda mais a distância física imposta pela pandemia, ressaltando que é preciso distanciar, mas, jamais, desamparar.

Jéssica Guimarães